quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O amor é uma coisa, a vida é outra!


Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Pedra, papel e tesoura...



O lápis percorre o bloco, escreve, rabisca, faz esquissos ouve toranja, não fala com ninguém, outrora a borracha avisou o lápis de que poderia estar a escrever a história errada.
Mas o lápis não deu ouvidos á borracha e partiu, encontrou um afia e limou algumas arestas... não fez o bico por completo talves este lápis soubesse que a história era curta, mas não quis deixar de a escrever...
e no fim...


Onde vamos?
Estou curiosa!!!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Lisboa, 29 de Janeiro de 2009

P.s - Ninguém sabe ao certo quando se apaixonaram, certo é que desde que se reencontraram não mais se largaram, talvez se tenham apaixonado na primeira conversa, talvez tenha sido um amor à primeira vista, os amores à primeira vista são mais que paixões, e, existem mesmo.


Catarina Rodrigues

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

o sol da noite


O que mudou nas minhas noites, rabisca nos comportamentos dos dias…
Salto as fronteiras e as barreiras do sono, reclamo por noites pintadas de azul, sonho com aquele abraço de aguarela pintado a carvão numa tela.
Os lençóis escorregam. Envolta em cobertores que mal aquecem o frio que faz lá fora., deambulo por um voo low coast a ilha dos sonhos, para te poder dizer quem eu sou o que quero e para onde vou.
Sem fronteiras nem barreiras…
Apetece-me gritar, envolver o mundo numa canção embalar o anoitecer num sol resplandecente e fazer das noites dias mágicos de sonho.
Tudo porque faz frio lá fora e o


Sonho comanda a vida…

domingo, 18 de janeiro de 2009

Rabiscos de dias de chuva

A cidade arepia-me a pele, a minha visão não alcança tamanha melodia que entoa gritos arrepiantes e murmurios enraivecidos.
Outrora, queria ter nascido aqui. Trilhar estas ruas, conhecer os becos e fugir por entre os bairros.
Mas ao acaso fui nascer ali, numa outra cidade, aquela que guarda o dia em que gritei, suspirei, chorei...
Desde esse dia devia ter comprado um bloco de notas. Poderia ter anotado tantas palavras que o vento levou, poderia ter desenhado tantos caminhos, mas ao invés limitei-me à insignificância de não ter agenda, de correr contra o vento, de me ausentar dos momentos, de fugir dos sentidos.
Nunca conheci niguém como tu, nunca conheci a cidade pela tua mão...


Please believe me
I'm estatic for you
Well why should i pretend
I have nothing to lose…

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